| Shire e Amicus anunciam acordo |
| Gazeta Mercantil |
| 12/11/2007 |
| Iolanda Nascimento |
A Shire HGT, que abriu subsidiária no Brasil em agosto último, irá investir nos próximos dois anos US$ 5 milhões em várias pesquisas clínicas no País, entre elas possivelmente as da parceria com a Amicus, disse Roberto Marques, que comanda as operações brasileiras da companhia.
O executivo explicou que os primeiros resultados dos estudos foram muito animadores e que a Amicus, uma pequena empresa de biotecnologia que recentemente abriu capital, tem uma tecnologia totalmente inovadora na área de doenças do depósito lisossômico - genéticas e raras, que se caracterizam por imperfeição de enzimas. O portfólio também atraiu a Shire porque complementa sua própria carteira de produtos.
Conforme Marques, a tecnologia da Amicus é a chaperona farmacológica. Chaperona na época renascentista era o nome dado a meninos que ajudavam os nobres a se vestir e ajudar é a palavra-chave para o seu trabalho com as enzimas. Uma enzima apresenta problemas porque seu processo de enovelamento aconteceu de maneira errada. "A chaperona encaminha a proteína a corrigir o que está errado até que ela atinja a configuração correta. E nesse processo, ela desenrola a enzima e a ajuda a se enovelar da maneira correta."
Mas a tecnologia vai além disso. Hoje, as terapias de reposição enzimáticas são intravenosas, o que requer o deslocamento de pacientes às clínicas para aplicações que podem durar até 5 horas. Já esses medicamentos são ministrados via oral, em cápsulas. Marques acredita que, dependendo do estágio das doenças, será possível tratamento apenas com as drogas orais para muitos pacientes. Outros poderão misturar as duas terapias e somente os casos mais avançados utilizarão o método tradicional.
"Não existe no mundo hoje nenhum produto e nenhuma empresa testando medicamento com essa tecnologia. O uso da chaperona para correção de enzimas é uma descoberta relativamente nova." Os produtos em fase 2 são o Plicera, para o tratamento da doença de Gaucher, e o Amigal, para a doença de Fabry. A empresa tem ainda o AT2220, para tratamento da doença de Pompe, que está em estágio 1.
A terapia para tratar a doença de Gaucher deverá movimentar globalmente este ano em torno de US$ 1,1 bilhão, prevê Marques que estima em US$ 150 milhões no Brasil. Já as de Fabry deverão gerar receitas de cerca de US$ 575 milhões em âmbito mundial e as de Pompe, US$ 190 milhões.
(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 5)(Iolanda Nascimento)
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