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Cristália prepara entrada no setor de biotecnologia

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Cristália prepara entrada no setor de biotecnologia
Valor Econômico
30/01/2009
André Vieira

O laboratório Cristália está próximo de iniciar a construção de uma fábrica para a produção de dois medicamentos similares que poderão ser, caso o projeto seja bem-sucedido, sua estréia no segmento de biotecnologia.

Com recursos próprios, o laboratório nacional já aplicou R$ 20 milhões no projeto e pretende investir outros R$ 25 milhões para conseguir produzir até 2012 o hormônio de crescimento humano e o interferon, usado no tratamento de doenças virais. A planta de biotecnologia, cujo projeto industrial será desenvolvido pela empresa de arquitetura Paal, do Rio de Janeiro, terá 1,2 mil m².

"A biotecnologia é uma grande veia. Com esta experiência, vamos buscar o desenvolvimento futuro de medicamentos de inovações incremental e radical", diz o diretor de pesquisa, desenvolvimento e inovação da Cristália, Roberto Debom. Nem o hormônio de crescimento humano tampouco o interferon - medicamentos sem proteção de patente - são produzidos no Brasil, que depende do suprimento externo. Calcula-se que os dois medicamentos representem cerca de R$ 120 milhões dos gastos públicos.

 A Cristália, que importa o hormônio da Coréia do Sul, prevê conquistar metade do mercado brasileiro quando estiver produzindo os dois tratamentos localmente.  Para alcançar sua meta, a Cristália já construiu um centro de 1,7 mil m² para pesquisa e desenvolvimento de remédios biológicos em Itapira (SP), onde ficam suas principais instalações industriais. O centro emprega 18 pesquisadores, entre mestres e doutores. Ao lado, a empresa prevê erguer até o fim do ano sua unidade industrial dedicada a produção dos dois medicamentos.

O projeto para o desenvolvimento dos biosimilares da Cristália contou com a parceria de dois consultores, o biólogo Spartaco Astolfi Filho e o engenheiro Josef Erns Thiemann. Com a venda da Biobrás para a Novo Nordisk em 2002, os dois deixaram a extinta fabricante de insulina e passaram a trabalhar em projetos em universidades até serem convidados para desenvolver a área de biotecnologia da Cristália. "O projeto de hormônio estava inacabado. Eles transferiram a tecnologia para a empresa", explica Debom, acrescentando que a universidade ganhará royalties quando houver a venda comercial do produto. Segundo o executivo da Cristália, o projeto dos dois medicamentos já passou na fase de testes em laboratório. "Estamos agora na etapa de transposição para a área industrial."

Além dos dois projetos em estágios mais avançados, a Cristália tem outros 10 projetos em andamento em biotecnologia - que estão ligados às áreas de imunoduladores, ortobiológicos, anticorpos monoclonais e fatores sanguíneos - programas que também possuem acordos com universidades, como Unesp e Universidade de São Paulo (USP). Fora do segmento de biotecnologia, a Cristália também prevê inaugurar em setembro sua nova fábricas que triplicará sua capacidade de produção de medicamentos em comprimidos e semi-sólidos, entre outros, fruto de um investimento de R$ 120 milhões realizado nos últimos anos.

 

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