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O peso da indústria farmacêutica na saúde

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O peso da indústria farmacêutica na saúde
Gazeta Mercantil
18/09/2008
Ciro Mortela

A pesquisa Economia da Saúde: uma Perspectiva Macroeconômica 2000 - 2005, recentemente divulgada pelo IBGE, reafirma a importância econômica e social da indústria farmacêutica. Segundo o estudo, a indústria farmacêutica respondeu, em 2005, pela terceira maior fatia em termos de valor adicionado das atividades de saúde, com 13,3% de participação ou R$ 13 bilhões. Nas primeiras posições ficaram a saúde pública (33,4%; R$ 32,5 bilhões) e os serviços de saúde privada (20,4%; R$ 19,9 bilhões), como consultas médicas, tratamentos e exames.

A contribuição do setor para a geração de renda e empregos é um dos destaques do estudo. O rendimento médio anual dos trabalhadores da indústria farmacêutica foi de R$ 36,3 mil, o maior dentre todos os segmentos da área da saúde (média de R$ 15,9 mil) e cerca de "3,6 vezes maior que a média da economia no período de 2000 a 2005", informou o IBGE.

No quesito empregos, a indústria farmacêutica ofereceu 112 mil postos de trabalho.

Contrariando cálculos disseminados e repetidos à exaustão, segundo os quais a principal despesa relacionada à saúde seria a compra de medicamentos, o trabalho do IBGE constatou que, no período pesquisado, "a principal despesa de consumo final das famílias foi com outros serviços relacionados com atenção à saúde (com média de 1,8% do PIB), que inclui consultas e exames, produzidos principalmente em ambientes ambulatoriais".

De acordo com a pesquisa, os gastos com medicamentos representaram 1,6% do PIB, na média do período.

Outro dado relevante da pesquisa é o crescimento do setor privado de saúde, que já é maior do que o setor público. Uma conseqüência do fato de as famílias brasileiras gastarem mais que o governo na área. Em 2005, os gastos das famílias atingiram 60,2% do total de despesas com bens e serviços de saúde (R$ 103,2 bilhões), ante os 38,8% gastos pela administração pública (R$ 66,6 bilhões).

Somados, indústria farmacêutica e de equipamentos médico-hospitalares, planos de saúde, varejo farmacêutico e de produtos médicos etc. respondem por 66,6% da economia da saúde, ante os 33,4% da administração pública.

Emblemática desse fenômeno foi a expansão do número de usuários de planos de saúde privados, que cobriam 18,5% da população (35,2 milhões de pessoas) em 2005 e já somam 40 milhões este ano, segundo a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

A conhecida dependência dos laboratórios instalados no país das matérias-primas importadas é citada em um contexto mais favorável, mas ainda preocupante para a indústria farmoquímica nacional: a fatia dos insumos importados vem caindo. Decresceu de 93,9% para 83,2% entre 2003 e 2005.

De resto, o IBGE constatou que a tendência de queda da participação dos produtos importados na área da saúde é geral. Um atestado de que o complexo produtivo da saúde - e a indústria farmacêutica lidera esse processo - vem aumentando a oferta e a qualidade dos produtos à disposição da população brasileira. Além de conquistar novos mercados e gerar mais divisas para o país.

(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 8)
(Ciro Mortella - Presidente- executivo da Federação Brasileira da Indústria Farmacêutica -Febrafarma).

 

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